quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Carta a uma fada

Por onde andará aquele rosto e olhos de fada?
Estes que toda vez que me vêem à memória me trazem a lembrança de um pequeno frasco de perfume...
Lembranças de uma infância tão distante,mas que ficaram marcadas em meu coração na forma do teu sorriso.
Lembranças do meu rosto rubro cada vez que te via ou quando chegava a hora de me despedir de ti com um beijo inocente. (Como poderia eu beijar uma fada?)
Quanta tolice a minha!
Aqueles momentos foram mágicos e naquele faz de conta tudo era permitido.
Recordo-me do seu jeito delicado de falar,que aos meus ouvidos infantis soavam como canto de sereia...
Teus cabelos,tais quais raios de sol hipnotizavam meu olhar que em vão tentava compreender tanto fascínio.

No entanto o tempo se recusou a parar.Ele correu e o vento da distância passou por nós.
Assim me tirou todo teu pó de fada e fez de mim um menino perdido.
Carregaste tua magia para outros jardins,para outras estórias,outros livros.
Muitos anos se passaram até que o mesmo vento que nos separou decidiu me trazer notícias tuas.
Hoje vejo que continua sendo a mesma fada de sempre.
Eu,já não tenho tanta certeza do que sou...
Prima, primavera, prima-dona! Um dia eu ainda hei de te encontrar!
Poderei ter de volta( mesmo que por momentos) a luz dos teus olhos.
Linda moça,tua alma é um fio de seda.
E minha imaginação criou para o teu destino uma lenda encantada:
-Jura que fugiste de algum livro e que eras a ilustração de uma estória de fada!

(Dedicado a uma fada distante,mas nunca esquecida)

domingo, 4 de outubro de 2009

Eram 3 e trinta e cinco (Poesia de Gabriel Medeiros)

Eu te curei daquela doença.
Como eu te chamava?
Aquilo não te fazia dormir,
Eu quem chamei seu amor pelo nome
Pra melhorar você da cama,
Olhei observando seu pudor.
Pode começar.
Era assim quando era eu
Agora vai doer pra sarar
Onde eu não quero mais que cure.
Nosso templo se desfez
E nosso canto de um sussurro
Caiu em si e se virou pro lado
No sono eterno que só uma amizade traz.

(Esta poesia é uma das minhas preferidas do grande amigo,poeta,escritor e cineasta Gabriel Medeiros).

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Nuvens negras (Como já dizia Celso)

Por quantas torturas meu coração já passou
Tão cruel foi a notícia que o arrebatou...
Antes sonhava com dias de sol e noites de estrelas
Porém agora só vejo nuvens negras

Ouvi a verdade que não queria acreditar
Vi o fim do carnaval que não podia acabar
Vesti minha fantasia que me expôs à mil tristezas
E no hotel barato que é meu coração,habitam hoje apenas nuvens negras.

Caí na armadilha que eu mesmo criei
Sacrifiquei meu coração,pra quê,eu não sei.
Por fragilidade ou ingenuidade,os meus planos te entreguei
E tive como resposta nuvens negras escurecendo tudo o que sonhei.

Tanto tempo regando o que nunca foi plantado,criando o que nunca houve
Inflando de esperanças opiniões quais nunca soube.
Acho que vc não percebeu o quanto fui sincero
Vc foi (e ainda é) meu paraíso,meu belo segredo,meu grande mistério.

O meu imaginário nunca teve,nunca existiu,nunca foi.
O que eu tive foi sempre conversas adiadas pra depois.
Concordo,um homem realmente precisa viajar
Mas com muito cuidado pra não se perder,pois as vezes é muito doloroso se achar.

Mesmo tendo sido eu uma piada,um fracasso,vagando em meus devaneios
Peço-te para que nunca se esqueça que com vc fui puro e verdadeiro.
E enquanto o sol se esconder,enquanto não puder ver o brilho do luar
Estarei em par com essas nuvens negras,até um dia (quem sabe?) a tua luz voltar a me iluminar.

(Dedicado à L. uma pessoa muito especial.)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Esvaindo

Sinto-me como estivesse esvaindo.
Pouco a pouco toda a minha essência
Fugindo,correndo,libertando-se,saindo.
Cada parte do meu "eu" me abandonando.

Estou certo de que meus sonhos e esperanças
Viraram pó e entupiram meu coração
E toda a engrenagem gradativamente enferruja-se.
E agora o pouco que restou evapora.Insiste em me deixar.

Desaparece pelos meus poros,olhos e boca.
Não suportando mais esta morada,prisioneira de uma situação pouca.
O meu ser está certo.Deve esvair-se.
Quem me dera ter forças para mantê-lo,mas é exatamente o manter que o força a sair.

A mim,o que me cabe melhor é apenas guardar.
Acendo mais um cigarro e deixo que as horas
se encarreguem de me esvaziar.....

terça-feira, 15 de setembro de 2009

De fato esse é meu mal

De fato estamos no mesmo barco
Mas vc sempre me escapa sem rastro
Visualizo uma meta,risco um traço
E de conclusão fica apenas um embaraço

De fato não estamos no mesmo caminho
A sua busca é pelas rosas
A minha é pelos espinhos.
No fim apenas me sobra o perfume
Que transforma o meu peito em um moinho.

De fato marcamos um filme.Um tipo de estopim.
Porém não vi que a história já havia se perdido de mim
Enquanto eu procurava entender o roteiro
Vc já se levantava antecipando o fim.

De fato acho que sou incompreensível
Pra vc talvez eu seja um quadro invisível
Gostaria apenas que me desse um motivo "plausível"
Para acreditar que vc não é assim tão insensível.

De fato,esse é meu mal.Não há mais o que dizer
Procuro novas maneiras de vc perceber
Que ainda estou aqui te esperando
Como o dia espera pelo o entardecer.

A espera

Marco o tempo,faço hora
as vezes me acho um tolo,inclusive agora.
Fico na espreita,pelos cantos apenas a esperar
Sem razão,sem certeza,sem calma.
E o que consigo são míseros minutos
Que me parecem uma eternidade
Quase sempre escoados pela pressa.
Eu sei como isso vai terminar
Eu sempre sei o final.
Mas novamente cometo sempre os mesmos erros
E toda a espera ri na minha cara.
Isso vai passar como tudo passa
Mas até lá terei que pagar o preço,afinal nada é de graça.
Toco o barco,sigo a correnteza
Me distraio em conversas rasas,fujo de sua beleza.
Já não há motivos.É hora de descansar.
Apesar dos pesares eu sei o momento de parar.
Deposito minhas esperanças no tempo
Ele há de se encarregar,ele há de me acalmar
Por mais que seja lento e incrédulo
Logo ele há de se consumar
E sinceramente espero que essas angústias
Uma hora hão de findar.

Chuva

Quando chove,caracterizo de forma clara
A minha solidão insistente.
Café,cigarros,melodias.....
Na chuva me sinto inteiro
Verdadeiro comigo mesmo.
O céu não fica óbvio
A atmosfera se torna implícita
Não basta apenas os olhos pra ver
É necessário alma.
É preciso sangue nas veias.
É vital que se traduza os trovões.

Aqui eu continuo minhas interpretações
Instável,inquieto,corroído.
Escondido atrás da fumaça de um cigarro
Procurando aquilo que nunca consigo achar
Agindo como intérprete de algo
Que,decerto,é impossível de decifrar.

Meu vacilo

A distância e o mistério que nos separa
Desperta em mim milhoes de ilusões.
Tão reais,que as vezes penso não serem elas, ilusões.
Mas sim belos disfarces para as desilusões.

Mas subitamente você se afasta
E me traz à tona a pungente verdade,
A exatidão da farsa que somos nós.
A brincadeira infantil de gato e rato.

O infeliz encontro de duas estradas sem rumo
A estúpida vontade de insistir
A descrente necessidade de prosseguir
A verdade está nua e desmascarada.

Então pq a busca pela mentira?
Para costurar feridas?Tapar buracos?
Anestesiar a vida?Preencher o vazio?
Remendar o velho lençol rasgado?

Seja qual for a razão,já não se sustenta.
É impraticável.Ficou tudo suspenso no ar.
Fiz o que pude e o que não podia.
Corri riscos talvez de maneira tardia.

As luzes de seus olhos se apagram,
Estão tão distantes que parece que nunca brilharam.
Anseio por suas palavras,sua voz
Percebo agora o "universo numa casca de noz".

É hora de encarar o acaso
Simples e só.
Vc fez de tudo um pequeno embrulho
E o trancou na gaveta,com chave e com um nó.